25 Setembro 2009

Vamos botar água no feijão*

Continua a ser fascinante para mim como uma semente de árvore, por vezes mais pequena do que uma vírgula, pode dar origem a um ser vivo muitas vezes maior. Todo o potencial se encontra concentrado num pequeno ser que encontrando as condições certas se transformará num suporte para milhares de outros seres vivos.

Na nossa alimentação por exemplo, mesmo para quem come carne, as sementes desempenham um papel fundamental. Todo o pão que comemos provem de algum tipo de grão (trigo ou centeio). O maior sustento da humanidade é uma semente, o arroz, assim como todos os óleos alimentares são extraídos de sementes.

As plantas são as nossas melhores e mais fieis fábricas, por assim dizer (porque são muito mais do que isso). E tudo se encontra concentrado naqueles pequenos grãos.

Preparar as sementes

As sementes têm os seus próprios modos de guardar e preservar de terceiros as suas reservas. Quando ainda adormecidas, muitos dos seus nutrientes estão num estado concentrado, protegidas com substâncias difíceis de digerir ou mesmo tóxicas.

Mesmo as sementes que foram escolhidas cuidadosamente por agricultores ao longo dos milénios são muitas vezes sujeitas a tratamentos, como o cozimento, a fermentação, a transformação em farinha, e a germinação até se tornarem mais agradáveis ao paladar e ao estômago.

A demolha

No caso das leguminosas (feijão, grão, ervilhas, lentilhas) e dos cereais em grão, há o costume de os demolhar antes de os cozinhar inteiros. Isto tem várias vantagens, uma dela é a diminuir o tempo de cozedura, e o consumo de combustíveis. Mas há mais.

O ácido fítico e os fitatos são substâncias que estão presentes na maioria das sementes, e que cumprem a importante função de manter minerais disponíveis para a planta. No entanto, os animais não-ruminantes (como será o caso do leitor), não têm um metabolismo que permita digerir estes antinutrientes. Ainda por cima o ácido fítico “prende” os minerais que estejam livres e impede a sua absorção pelo nosso sistema digestivo.

No processo da demolha, a semente “acorda” e começa a utilizar os nutrientes que estavam guardados e transformá-los de modo a estar mais disponíveis. Neste processo, são libertadas na água da demolha, além do ácido fítico, outras substâncias antinutritivas e tóxicas que o nosso corpo teria dificuldades em digerir.

O feijão, por exemplo, começa a “desempacotar” as suas reservas de carbohidratos e por isso diminui a quantidade de carbohidratos complexos que causam a proverbial flatulência.

Germinação

O processo que começa na demolha continua se deixarmos as sementes germinar. Os lípidos (gorduras) presentes simplificam-se e tornam-se mais leves e saudáveis. Multiplica-se a quantidade de vitaminas (notavelmente a vitamina C) e são activadas grandes quantidades de enzimas.

São tantas as substâncias vegetais que existem e se desenvolvem nesta fase, muitas delas certamente ainda desconhecidas ao Homem, que seria mais correcto dizer que é a energia vital que está no seu máximo no rebento.

Alguns nutrientes diminuem, mas isto é largamente compensado com a biodisponibilidade daqueles que restam e daqueles que são criados. Depois de 3-4 dias regra geral, a plantula chega a um pico de nutrientes benéficos para a saúde humana (e animal) e está na altura ideal para ser comida crua em saladas e sumos, ou cozinhada de diversos modos.

*Vamos botar água no feijão, refrão da música do Chico Buarque “Feijoada Completa”.

20 Janeiro 2009

Investimento Óptico

A saga começou quando decidi que as minhas poupanças deviam ser usadas de uma forma construtiva. Não estava no horizonte próximo nenhum investimento ou empreendimento, e o dinheiro que tinha no banco continuava a alimentar algo que eu não sabia bem o que era, mas não me cheirava bem.

Aproximei-me do balcão do meu banco e perguntei:
- Tem algum fundo de investimento ético? – Se a pergunta foi ingénua, a resposta foi hilariante.
- Fundo de investimento óptico?
Que falta de visão! – pensei eu.

Nesse mesmo dia contactei o CIDAC porque já me tinha constado que tinham informação sobre o assunto. Limito-me a reproduzir a resposta que me enviaram poucos dias depois:

Caro José,
peço desculpas pela demora na resposta, não sei se ainda será útil.
De qualquer forma, a resposta que obteve ao balcão do banco espelha a situação da finança ética em Portugal: inexistente!

Mas é possível fazer-se cliente e usar os serviços bancários de instituições estrangeiras (através de banca telefónica ou por internet).
É por exemplo o caso do Triodos Bank, agora também em Espanha; a MAG2, a Banca Etica e a Associazione Finanza Etica de Itália.

Em Janeiro 2006 houve uma conferência internacional sobre Microcrédito em Lisboa, as ideias principais estão em:
http://www.microcredito.com.pt/informacoes/get.asp?url=/files/mc_downloads/conferencia_2006.pdf

Existe a Associação Nacional de Direito ao Crédito:
http://www.microcredito.com.pt/

A informação em http://es.wikipedia.org/wiki/Banca_social está bem organizada e parece-me abrangente. Depois há organizações que trabalham estas questões.

Prometo em breve uma actualização sobre que organizações são estas.

16 Janeiro 2009

Depressão e contacto com a Natureza

Este foi o tema da minha tese de licenciatura em Psicologia.
Para os interessados deixo aqui a versão completa em ficheiro em PDF (109 páginas) (clique aqui). Também está disponível uma síntese (ver abaixo).

Obtive neste estudo alguns dados que não se enquadravam no tema, mas que não deixam de ter o seu interesse. Estes estão relacionados com os factores que influenciam o sentimento de ligação à Natureza. Este sentimento é crucial na proteção da Natureza. O conhecimento meramente intelectual dos problemas não leva tanto as pessoas à acção como os laços afectivos que as ligam ao mundo natural.

Estes dados estão na parte dois desta breve síntese (em português e inglês, 9 páginas) descarregar aqui.

11 Setembro 2008

Alimentos acidificantes e alcalinizantes

O pH é uma medida de acidez. Quanto mais baixo o pH, mais acidez existe.

O nosso sangue tem uma acidez de 7,4 pH ±0,5. O nosso corpo tem mecanismos para manter o sangue dentro destes estreitos limites por isso um desvio de mais de 0,5 pH é geralmente resultado de um problema grave nos rins ou nos pulmões e pode significar a morte.

No entanto as flutuações de acidez dos fluidos do corpo são mais acentuadas e resultado do que se acabou de comer, da actividade física e mental, etc. Desvios do pH do organismo são muito menos graves do que os do sangue, mas não deixam ter uma enorme importância na saúde. Em particular a acidose tem sido relacionada com inúmeros problemas de saúde, pelo que convem estar atento.

Um bom indicador do pH do organismo é a urina. O pH desta flutua ao longo do dia e os valores aceitáveis são entre 6,0 e 7,5. Isto pode ser medido com fitas indicadores que se compram na farmácia. A alimentação desempenha aqui um papel importante. Os alimentos que ingerimos podem ter uma influência acidificante ou alcalinizante no organismo. Por exemplo as frutas, mesmo as frutas ácidas, têm um efeito alcalinizante.

Grosso modo é assim:

Alimentos acidificantes
todas as carnes (excepto a de cavalo), peixe e todos os animais marinhos, lentilhas, cebola, castanha-do-pará, amendoins, nozes, pão, todos os tipos de cereais, farinhas e massas, mandioca, cacau, ovos e queijos.

Alimentos alcalinizantes
todos os frutos, todos os sumos, todos os vegetais e legumes (com excepção dos mencionados acima), mel, melaço, natas e todos os tipos de leite, carne de cavalo, vinho, frutos secos (excepto os mencionados acima).

Existem algumas variações nesta lista dependendo do autor. Isto é devido a que nem todas as pessoas reagem da mesma maneira a certos alimentos. O melhor é ir à farmácia, comprar as fitinhas e experimentar por si próprio cada vez que vai à casa de banho.

16 Agosto 2008

Outras cousas de papás e mamãs

De todas as mézinhas conselhos e advertências com que os futuros pais e mães são quotidianamente bombardeados ou que lemos nas mais diversas fontes, felizmente só nos deu para e só precisámos de usar alguns poucos e desses poucos contam-se pelos dedos os que foram eficazes.

Todo o processo de gravidez e maternidade/paternidade está recheado de medos impostos pelos familiares, amigos, por certos interesses comerciais, lojas de puericultura e certos técnicos de saúde. Os nossos medos são, como em tudo o resto, explorados ao máximo. É uma tarefa realmente difícil separar o trigo do joio e escolher a informação que é realmente importante do que é absurdo e infundamentado. Muito sinceramente, encontros de mães e doulas dão uma boa ajuda neste aspecto. Doulas em Portugal.

Em primeiro lugar pareceu-nos sensato e cumprimos o conselho de tomar diariamente algumas tisanas nutritivas e bastante inócuas: urtiga (dioica) e folhas de framboeseira. A urtiga é muito rica em minerais, especialmente ferro, e em vitaminas A e C. Também pode ser comida em sopas por exemplo. A folha da framboesa é também bastante nutritiva e estimula suavemente os músculos do útero, preparando-os para o parto. Ao contrário da urtiga, que pode ser tomada todos os dias desde o início, a framboeseira deve ser tomada apenas a partir do segundo trimestre de gravidez.

É muito frequente na gravidez aparecer corrimento vaginal. Algumas bactérias podem ser perigosas para o bebé, mas na maioria das vezes o incómodo é para a mãe e/ou para o pai. Depois de nos assegurarmos de que o bichinho não ia fazer mal ao bebé, usámos óleo essencial de tea-tree (tem de ter a designação “100% puro” – aconselho a marca Dr. Valnet) com bons resultados. Pode ser usado sobre a glande e prepúcio no homem e diluído em lavagens vaginais na mulher. Este óleo é muito seguro e pode ser usado livremente, mesmo no estado puro. As lavagens devem ser realizadas sem qualquer apetrecho. Usar pêras e outros utensílios pode danificar o rolhão mucoso que isola o útero e protege o meio do bebé.

Outra coisa que parece ter sido útil foi massajar a vagina com óleo de gérmen de trigo. Isto pode ser feito nos últimos meses de gravidez para dar elasticidade e evitar que haja rasgões durante a saída do bebé. A técnica de massagem é a seguinte: o parceiro ou a própria lubrifica os dois primeiros dedos com o óleo e muito suave faz um coração. A partir de baixo vai abrindo a vagina empurrando para fora com muita suavidade, num gesto contínuo até cima, como que desenhando um coração. Isto deve ser feito de modo a que não doa, por isso não poupar óleo. Outra precaução é não tocar o fundo da vagina ou o colo do útero. Esta massagem em caso algum alarga a vagina, pelo contrário dá-lhe a elasticidade para recuperar mais rapidamente do parto.
A massagem pode, claro está, ser estendida ao resto do corpo e o uso de óleo (aconselho jojoba, côco ou manteiga de cacau) é muito aconselhado para prevenir estrias, especialmente nos seios e barriga.

Os médicos que têm prática privada acham mais prático programar cesarianas do que realmente seguir o processo. Muitas crianças têm nascido por isso à sexta feira, logo antes do jogo de golfe do obstetra. A nós aos seis meses o médico da caixa disse-nos que a nossa filha tinha a cabeça muito grande, presumivelmente para nos meter medo acerca do parto. Para que se saiba a situação de uma bebé ter a cabeça muito grande para a mãe é limitado a situações muito específicas de anomalia (hidrocefalia por exemplo) ou quando o papá é muito maior do que a mãe. As cesarianas são praticadas claramente por excesso, ora por conveniência dos médicos ora por complicações causadas pelo mau acompanhamento às mães e pelas condições contranatura em que as mulheres são forçadas a parir na generalidade dos hospitais. A posição deitada com as pernas levantadas deve ser a melhor posição para o parto logo a seguir ao pino – ironicamente falando claro.
Enfim é um longo caminho até aos hospitais mudarem as suas práticas em relação ao parto, e as mães estarem informadas e preparadas para terem um parto mais activo. Exemplos de hospitais que parecem estar abertos à mudança são o Hospital Garcia da Horta e o S. Francisco Xavier em Lisboa e o Hospital S. João no Porto. De qualquer modo se quiserem reclamar o direito a parir com um mínimo de constrições médicas, é bom que falem sobre isso no hospital em que estão a fazer o acompanhamento, com a devida antecendência. Também há a hipótese de fazer o parto em casa, com uma parteira.

Na hora “H”, o que ajudou nas dores causadas pelas contrações (que ao que parece são muito semelhantes às dores de período mas um pouco mais fortes), foi em primeiro lugar água quente e depois a ferver. Quando isto deixou de funcionar o nos salvou no fim foram os mantras. Sendo profanos nesse respeito, limitámo-nos a repetir incessantemente o “OM” o que ajudou bastante a tomar controlo da respiração e diminuir a dôr. Seja por onde fôr, se quiserem passar melhor pelo parto, façam bastante trabalho com a respiração (yoga, tai-chi, chi-kung, sofrologia, parto sem dor etc…).

A homeopatia pode ajudar durante o parto, a nós pelo menos parece que sim, mas apenas posso recomendar que falem com um médico homeopata qualificado.

A amamentação foi um problema. Muitas pessoas pensam que é algo intuitivo que se aprende rápido e até é se calhar. Mas os primeiros dias com o bebé são tão cruciais e intensos, que o melhor é estar preparado. Estejam com outras mães e grávidas falem sobre a amamentação com pessoas que amamentem agora. O melhor que vos posso dizer é: a postura tem de ser confortável para a mamã também. Almofadas ajudam. Em caso de mamilos gretados, lanolina ajuda. Visitem o site da La Leche League. Sobre isto a doula também pode ajudar, em caso de dificuldade um grupo de mães voluntárias da SOS Amamentação está disponível para ajudar. A amamentação é outro campo em que nos tentam impingir tudo e mais alguma coisa desde tetinas de borracha a leites de fórmula, biberons ergonómicos e electrónicos etc…

As mézinhas que mais notoriamente funcionaram nos primeiros meses foram chá de funcho e/ou erva-doce para evitar as cólicas e aumentar a produção de leite, e algo que funcionou incrivelmente bem com a nossa pequenina quando estavam a nascer os dentes foi um complexo homeopático chamado Chamodent que recomendo vivamente.

Depois de ler este texto tenho a desculpar-me parecer uma espécie de TV Shop, espero que algo seja útil. Lembrem-se nada funciona para todos, isto foi o que funcionou para nós. Lembrem-se pois que ambos (a mãe e o bebé) vêm com o “kit completo” e que tudo o resto é apetrecho e secundário. A intuição (seja lá o que isso fôr) da mãe desde cedo na gravidez traz para a consciência o que é importante e o corpo logo opera toda a preparação necessária. Também a consciência se transforma, os ritmos de sono se alteram para que a mãe perdure os primeiros meses de intensíssimos de vida do bebé com reservas de energia. Estas alterações do sono são um exemplo dos sinais que devem ser respeitados antes de mais nada para uma gravidez com sucesso. E sobre a sabedoria do corpo faço silêncio.

5 Março 2008

Mézinhas para a gravidez

Recentemente tornei-me pai e assim acompanhei toda a gravidez e nascimento de um bebé e de uma mãe. Herdámos de uma amiga Inglesa que tinha se tornado mãe recentemente, além de muitos pequenos tesouros, um livrinho com apontamentos úteis de muitos livros de ervanária e outros dedicados à gravidez e ao parto.

Traduzimos e melhorámos um pouco o texto, acrescentámos algo da nossa experiência e passamos agora o texto a quem dele queira usufruir ou melhorar. Obviamente que não precisámos de testar todas as receitas, por isso pedimos toda a precaução informada na toma de chás e outras receitas. Tentámos retirar todas as plantas e procedimentos de cuja inocuidade suspeitamos, mas não somos peritos e por isso pedimos que estejam atentos ao usá-las.

Em troca, pedimos que partilhem connosco, mesmo que anonimamente, as vossas experiencias e conhecimentos no sentido de desenvolver o texto e ajudar mais pessoas.

A última versão estará sempre neste link: Ervinhas para grávidas

11 Julho 2007

pequenas revoluções na cozinha II

Cozinhar a vapor

Farto de legumes cozidos, moles, sem côr e desenchabidos? Cozinhar a vapor é uma técnica que melhora o sabor e a textura dos alimentos, animais ou vegetais. Os alimentos cozidos a vapor preservam o seu sabor próprio, mesmo quando misturados com outros ingredientes. E claro, evitando uma perda enorme de valor nutricional com a água da cozedura.

Outra vantagem de cozer os legumes a vapor é a poupança de energia que isso pode representar, especialmente quando se cozinha em “andares”.

Pode-se cozinhar desta forma quase todo o tipo de alimentos, desde vegetais, peixe e carne, pastéis e pão.

A maioria das técnicas necessitam de acessórios, de muito baratos a muito caros. Em qualquer caso, sempre é preciso deixar a panela tapada.

A maneira mais simples e acessível de cozinhar a vapor é simplesmente cozer os legumes com um fundo de água, apenas o suficiente para não se queimarem.

Utensílios

Cesto de Cozinhar a Vapor

Há vários tipos de cestos que se podem adaptar a qualquer panela, de diferentes tamanhos, feitios e materiais, simples ou com vários andares, de inox ou de bambú (nas lojas de produtos chineses).

Para os aficcionados, há panelas especiais e mesmo máquinas, para cozinhar no vapor, com vários andares. Cozinhar em andares tem a enorme vantagem que se pode fazer toda uma refeição cozida no vapor, usando apenas um bico do fogão e uma pequena quantidade de água.

10 Junho 2007

divino de amêndoa e divino de arroz

Não que seja vegetariano estrito, mas não me agrada o leite, desde pelo menos os 15 anos. Fartei-me rapidamente do leite de soja e sempre achei estranho cobrarem 2 euros por um punhado de arroz misturado com água. Aqui vão as receitas a que cheguei com uma busca na net e alguma experimentação, para o leite de amêndoa e de arroz.

Divino de amêndoa

50g amêndoas cruas inteiras
5dL água

Deixar as amêndoas de molho cerca de 8h (facultativo – sabor mais suave).
Escaldar e tirar a pele.
Lavar.
Misturar com meio litro de água.
Liquifazer com a varinha mágica (o liquificador não desfaz o suficiente).
Filtrar com um passador fino ou outro filtro.
Deixar arrefecer e conservar no frio.
Deliciar-se.

O que sobrou no passador pode ser usado em bolos e cozinhados.

Divino de arroz

50g de arroz
5dL água

Deixar o arroz 8h de molho.
Escorrer e lavar.
Cozer durante cerca de 15mn.
Liquifazer com a varinha mágica, na água onde cozeu, ainda a escaldar.
Filtrar com um passador fino ou filtro semelhante.
Deixar arrefecer e conservar no frio.
Deliciar-se.

É muito importante o tempo de cozedura e usar a água a escaldar. Com quinze minutos ao lume o arroz fica mal cozido. Liquifazer na água a escaldar acaba o processo sem que a bebida fique a saber demasiado a arroz cozido.

9 Junho 2007

pequena revolução na cozinha

Existem pequenas coisas que fazem toda a diferença. Seguindo estes passos, pode chegar a uma dieta mais saudável sem perder sabor pelo caminho.

Evite todos os alimentos refinados

No início do século XX, “refinado” era sinónimo de qualidade e elegância. Já se sabe hoje que na realidade pode significar problemas.

Use apenas sal marinho não refinado. Deite fora o sal refinado branqueado, use apenas sal marinho. O sal marinho é rico em minerais nutritivos e tem o mesmo sabor do que a versão refinada. Por outro lado, o sal refinado não tem valor nutricional algum, e pelo contrário pode ser muito prejudicial à saúde, causando mais rapidamente hipertensão e endurecimento das artérias.

O açucar refinado pode perturbar a saúde física e mental especialmente se consumido em grandes quantidade ao longo dos anos. Esta subtância química (sacarose) é extraída da cana do açucar ou da beterraba mas no processo de refinação perde todas as vitaminas e minerais, tornando-se potencialmente prejudicial à saúde. Prefira mel, melaço de cana (muito rico em nutrientes) geleia de milho, centeio ou arroz. Existem compotas feitas sem açucar (marca Dalfour ou Pingo Doce). Prefira os sumos sem açucar nem adoçante. No entanto se tiver de escolher entre açucar e um adoçante artificial, escolha açucar. Recentemente surgiu como falsa alternativa a frutose refinada. Esta pode provocar problemas semelhantes ao açucar, incluindo uma forma de diabetes.

Experimente cereais integrais. No processo de branqueamento dos cereais perdem-se a maioria dos nutrientes, ficando quase só o amido. Os cereais integrais têm muitos mais vitaminas, minerais e fibras e muitas pessoas acham-nos mais saborosos, mesmo depois de já estarem habituadas à versão refinada. Arroz, trigo, aveia, centeio, cevada, milho painço, sarreceno, quinoa são alguns cereais que podem ajudar a dar um salto qualitativo na dieta. Existe ainda pão integral na maioria das padarias, massas integrais, farinhas, arroz, etc. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Veja o site do Instituto Macrobiótico de Portugal especialmente a secção de artigos para mais informações.

Gordura com qualidade

A gordura é essencial à nossa alimentação, mas cozinhada pode tornar-se perigosa. É importante conhecer os óleos certos para cada utilização.

Os óleos polinsaturados são os mais saudáveis crús, mas tornam-se nos mais perigosos quando cozinhados. Use para temperar saladas óleos como o de sésamo ou girassol – são aqueles mais leves que não solificam quando está frio. Nunca frite com óleos polinsaturados, verifique sempre a informação no rótulo.

Os monoinsaturados são os melhores para cozinhar. Para fritar use o azeite ou o óleo de amendoim, entre outros que costumam ser mais densos ou mesmo criar depósito quando está frio. Também são bons crús, mas com um valor nutricional menor do que os polinsaturados. Se usar o azeite nas saladas, escolha um “virgem extra” e outro de qualidade menor para os cozinhados.

Quanto às gorduras saturadas, podem ser um perigo para o sistema cardiovascular, especialmente as de origem animal como a banha e a manteiga. No entanto, se tiver de escolher entre margarina e manteiga, saiba que a manteiga é mais saudável. Entre os óleos vegetais saturados estão o óleo de palma e o de côco, ambos bons para cozinhar.

Cozinhar gorduras transforma-as em gorduras saturadas. Isto significa que se tornam mais “pesadas” ou densas e que possivelmente absorveram radicais livres – substâncias químicas agressivas para o organismo. Este fenómeno ocorre em particular com o aquecimento das gorduras polinsaturadas, pois têm mais “buracos”. O mesmo acontece no processo clássico de fabrico da margarina – a hidrogenação. Em adição, os ácidos gordos mudam de forma e tornam-se trans – uma das substâncias alimentares mais perigosas.

Quando tiver mesmo de cozinhar as gorduras, escolha azeite ou outra gordura monoinsaturada e acrescente uma xícara de água aos refogados, para que a gordura não aqueça tanto. Isto não afetará o sabor do cozinhado. Quanto aos fritos, reserve-os para épocas festivas e consuma com moderação.

14 Abril 2007

jamendo – mais do que música gratuita: música livre!

Jamendo

Como músico e como ouvinte, sou crítico das leis do copyright e da propriedade intelectual. Acho que a música foi feita para ser partilhada livremente e os amantes de música devem poder copiar os albuns que quiserem.

Até agora um músico que quisesse afirmar o seu desejo de que o seu som fosse copiado entre fans, caia num buraco legal. Não havia lei que previsse isso. Neste momento começa a ser reconhecido um modo de reservar não todos os direitos para o autor (copyright©), mas só alguns, legalizando a partilha de música e ficheiros.

A alternativa que me parece mais promissora e flexível é o Creative Commons (já adaptado à legislação portuguesa).

O Jamendo é um site onde qualquer banda pode colocar o seu trabalho gravado à disposição dos internautas, que podem passar os ficheiros aos seus amigos. Há milhares de albuns por onde escolher, em todos os géneros musicais. Espreitem o site porque tem música de qualidade, mais do gratuita: livre!

Já agora oiçam e partilhem a minha banda: